segunda-feira, 26 de julho de 2010

Desencontro ao acaso



Desculpa-me pela hora
Sei que é tarde
Embora não saiba a que horas
Lerás essas linhas
Sei que é tarde, muito tarde
(Tarde demais?)
Mas não pude vir mais cedo
Ao teu encontro, estava tudo tão...
Tão congestionado
Tão confuso
Tão distante
Tão tudo
As ruas
As linhas
A vida estava ocupada
As mãos não tinham sentido
Os ônibus estavam lotados
Não havia trens naquela época
O sol superaqueceu o asfalto
Não se podia andar
Correr era impossível
Mas ainda que andasse
Ainda que corresse
Ainda que voasse
Seria tarde
Muito tarde
(Tarde demais?)

terça-feira, 20 de julho de 2010

XXIII - Sentimentos Sentidos, Sentidos e Sentimentos



Amo-te no aroma achocolatado
Com que decoras o ar que me cerca
Quando estás, e me deixa adormecido
No rastro invisível da tua ausência.

É um vazio de gosto que silencia
O olhar ante ao momento acontecido
E o vapor permanecido peca
Por fingir-se instante inacabado.

E de pensar-te assim, de hora em hora
Me bole um tremor anoitecido
Que me morde, mastiga e não devora.

No ar, a sombra de um riso quebradiço
Chora a brisa a varrer-te sem demora
Nos vapores do teu cheiro maciço

P.S.:Desculpa-me a demora. Sei que demorei, espero que não seja tarde.
Ainda continuo me perguntando se essa é a história, ou se apenas gosto disso. Na dúvida, sigo escrevendo.