sexta-feira, 29 de abril de 2011

Da tarde aos olhos amanhecidos

Ah, pequena dos olhos entardecidos
Por que quiseste anoitecer tão cedo
Antes que eu pudesse esquecer o medo
Que tenho de morrer e ser esquecido?

És a lembrança que ensejo, degredo
Embebecido de beleza, esquecido,
Como o bom amor, anoitecido cedo
Para que pudesse ser vivido

E de pensar no esquecimento, me pego
Lamentado por tudo já esquecido;
O escuro trágico a que me nego

Se recordar é a obra a que me entrego
És a lembrança resistente, aborrecida
Pelo tempo emudecido, surdo e cego