Se quiser e sentir
E somente se quiser falar comigo, e sentir isso,
Olhe para o céu. Talvez verá estrelas, talvez
Verá o fundo azul do dia, talvez o branco
Ou o cinza escuro das nuvens, prestes a chover.
Se vir esse cinza quase precipitante, sim, sinta
Sinta o que um dia, talvez, tenha sentido
Se um dia sentiu, se me sentiu por perto, pois
Não sei se estarei no céu, como também
Não sei, sinceramente, se estarei no inferno.
Não pense em Jesus ou no Diabo,
Mas pense nas nuvens, pois sei que não há,
Nem nunca houve nada que me pudesse
Me fazer mais presente do que uma boa chuva
Incandescente, dessas que perjuriam
Papai do céu, daquelas que mesmo
Quem vive na seca fala mal, por que é má;
Sim, para eles é má, assim como fui mau
Para alguns, bom para alguns, insípido
Para alguns. Inodoro, para alguns
Invisível para outros tantos alguns, mas fui,
E fico feliz por ter sido, simplesmente porque fui.
Insípido, inodoro ou invisível, fui, como a chuva
Para muitos, que, para mim, nunca foi inodora.
Por essas e outras, te peço que me pense
Como a chuva, que só não é inodora para quem sente,
Só não é invisível para quem vê,
Só não é insípida para quem sabe o gosto da chuva.
E se você não sabe o gosto que a chuva tem,
Se um dia sentir, quando sentir, saiba,
Estarei lá, estive lá, e também fui isso que você sente.