segunda-feira, 30 de novembro de 2009

XV



Sonhemos, e vivamos esse sonho severamente
Sonhemos, porque o dia não tarda
E a luz é sombra para o pensamento.
Vivamos enquanto o sol não se levanta
E ele nunca se cansa de nascer.
Sejamos, simplesmente, como nunca
Pois o nunca é o poço onde se afogam
Realidades melancólicas e tristes.
Sonhemos. Não, não me acordes,
Não me queiras de olhos abertos para o suplício matutino
Pois todas as vezes que me acordam é um sonho
Que amanhasse sem ser lembrado.
Deixa-me que viva entre as estrelas
Onde sempre caberá um firmamento
Seja, e simplesmente sejamos,
Não um, mas um milhão de vezes nós mesmos
Assim, completamente seremos.
E quando alguém, um dia, quiser nos acordar
Desses nossos sonhos que vivemos
Montaremos em nosso caracol selvagem
A cortar com a bravura do vento
Os inúmeros nanômetros imaginários do horizonte
E iremos, iremos além
Além do que se chama horizonte
Muito depois de muitos horizontes
Que nunca cessarão. E quando lá alcançarmos
Lá onde o horizonte se cansa de ser horizonte
Para ser abrigo, onde o infinito encontra
O caminho do fim, onde o dia se desaba em noite
E a noite é feita para a paixão
Lá, muito depois do infinito horizonte
Seremos simplesmente nós, não mais alguém
Seremos um milhão de vezes nós mesmos
De um jeito que nunca nos conhecemos
E enfim, desbravaremos a beleza
De todos os seres que não fomos
E sonharemos, viveremos infinitamente
Mais infinitamente que o horizonte infinito
E lá, depois de além de onde todos os horizontes
Se encontram, finalmente seremos

sábado, 21 de novembro de 2009

Locomotiva


Logo cedo
Sai da cama
Lava o rosto
Lava roupa
E põe a roupa
No varal
E põe a roupa
E tira a roupa
Limpa a casa
Arruma a casa
E passa a roupa
E passa passa
Passa o tempo
Passa passa
Na cozinha
Pra fazer
A comidinha
O fogão ta carregado
De panela que não cansa
De ferver e ferve e ferve
É o feijão quase queimando
O arroz ficou no ponto
Macarrão ficou grudando
Minha nossa, minha nossa
Minha-nossa, minha-nossa
Manhê!
Serve o almoço
Arruma o filho
Manda o filho
P’ra escola
E senta junto
P’ra fazer
Lição de casa
Casa, casa
Papai chega
Papai come
Papai dorme
Papai some
Filho cresce
Filho esquece
Filho casa
Logo tem a própria casa
E ta vindo um netinho
Neto nasce
Vovó chora
Logo chama
Vovozinha
Vovó cuida
Vovó beija
Abraça e brinca
E o nenenzinho
Logo cresce
Logo esquece
Ninguém nota essa velhinha
Ai, mãezinha, a vovozinha
Ta chorando encolhidinha
Chora em seco a mulher forte
Forte, forte, forte, forte
Manhê!

P.S.: Para não dizerem que só sei falar de amor, falemos um pouco mais...

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

Da Beleza das Mulhers Belas



Que sobreviva a beleza,
Sobretudo, a beleza feminina,
Pois só ela tem um quê de sombrio
Capaz de alimentar a tristeza
Existente no homem e fazê-lo sorrir.
Só o homem sabe o que é se sentir
Triste, amargo, insensível e, de repente,
Transformar a própria realidade
Por estar diante daquela que, em breve,
Se tornará sua eterna namorada
Para quem dedicará mesmo seus versos
Mais cheios de humildade e sem direção
Pois todos os caminhos o levarão a sua amada
Verdadeira, que estará em todos os rostos,
Todas as vozes, todas as tardes, mesmo
Aquelas sem graça no verão chuvoso.
Por isso, anseio que sobreviva a beleza
Sobretudo a beleza das mulheres belas
É só nelas que a verdadeira beleza sobrevive,
Se bem que outras coisas além da beleza
São importantes e, muitas vezes, as mulheres belas
Não as possuem, mas têm o mais importante,
Pois sem beleza não há mais nada,
Não há inteligência, nem sinceridade
Não há honestidade no relacionamento
Nem mesmo a tristeza sem beleza não há
E sempre deve existir contigua a essa beleza
Uma candura, uma doçura de mulher,
Um querer bem, um cuidado pelo ser amado
Um não-sei-se-quero confundido
Com tudo mais que há por se querer.
Paciência, muita paciência e um olhar distante
Como se o mundo fosse acabar no próximo
Suspiro, e a vontade repentina
De ir para casa são essenciais
À existência da beleza das mulheres belas.
Não se pode esquecer, é claro, da delicadeza.
Não falo de angelicalidade,
Mas de delicadeza pura e fina.
De nada vale beleza sem delicadeza
É ela a responsável pela atmosfera
Sublime que deixa a mulher bela
Em câmera lenta e com trilha sonora.



P.S.: Um dia ainda nos conheceremos. Eu sei que você está por aí, em algum lugar.