Nos meus eus me desconheço
De quando em quando, quando
Não sou. Não sou, talvez quisesse
Ser, mas não sou, e como ser
Diante de tanto não, de tanto
Tanto, de tanta coisa coisificada?
É difícil ser qualquer coisa
Qualquer coisa que seja
Qualquer coisa que fosse
Descomplicada e sorridente
Que se reconhece entre coisas
E pessoas sorridentes e descomplicadas
O sorriso dado é gratuito, mas custa caro
Tenho indagado a cada minuto
Os vários por quês de cada por quê,
Eles sempre dão a mesma resposta:
Tic tac, tic tac, tic tac, tic tac
Melancólicos tics e tacs repetitivos
Um depois do outro, inconcretos
E disciplinados, nunca mudando
De ordem na minha desordem vaga.
De ordem na minha desordem vaga.

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