Mesmo que ela não venha, estarei aqui esperando. Esperarei enquanto as horas forem horas, e mesmo quando as horas forem dias, saberei que um dia ela vai chegar. Deixarei minha marca por todas as esquinas em que eu passar para o caso dela errar o caminho sempre saber como me encontrar. E sempre pedirei mesa para dois, pode ser que ela queira beber, pode ser que esteja com fome, pode ser que não queira nada além da minha companhia. E se no fim da noite ela não aparecer, saberei que ela esteve sozinha e se não foi ao meu encontro foi por causa da irmã que quis pintar o cabelo, ou o cachorro que precisava de um banho, ou mesmo aquele filme que ela tanto gosta passando de novo na televisão. Mas amanhã ela virá, sei que ela vira, senão depois de amanha, sei que um dia ela virá. Talvez ainda chegue atrasada. Mais cinco minutos! Não, não, dessa vez eu não perdôo. Digo mesmo sabendo que perdoarei, que não a deixarei esperando, mesmo que por ela espere a vida toda. E depois dos anos passarem, quando a idade me alcançar, anunciarei em todos os jornais:
Velho poeta de cabelos brancos e coração enrubescido procura aquela jovem senhora de outrora para viver por toda a vida. As interessadas sigam aos bares da noite, encontrarão senão sozinho um homem de olhar sereno e palavras mansas, que há de vos amar pelo que resta de todas as vossas vidas.
Um comentário:
"Velha Pintora Procura" - se eu soubesse escrever como você, esse seria o tema do meu poema!
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