quinta-feira, 30 de outubro de 2008
XVI
Amo-te, minha amante desonesta
Seguro deste amor que te venero
Esqueço o esquecimento e persevero
Por ser a pouca vida que me resta
Se em vão nenhum amor é descoberto
Vivê-lo é mal preciso ao bem da vida
É dom, é dor, é sal sobre a ferida
É hóstia amarga se ausente o seu afeto
Mas bem melhor viver em vã ventura
A descobrir-se à noite descoberto
Por faltar calor, amor e aventura
Amar é dedicar-se à dura lida
De sonhar sem medo da amargura
Do sol raiar ao som da despedida
terça-feira, 21 de outubro de 2008
XVIII
Domingo é dia de ir para a chácara
Onde sou par de alguma coisa
Em um lugar mais arejado
Quero aproveitar, pois o resto é tanto resto
Que mal sei se sou alguém ou algo
Enquanto isso, uma vítima de incesto
Chora o irmão que se perdeu
Quando perdeu sua virgindade
Sou eu uma dessas pessoas
Apenas me vestindo diferente?
Apenas vivo diferente
Sou indiferente às pessoas como eu.
Não, este não é um poema de amor
Minha mãe não sabe que estou aqui
Não aconteço
Mas sei tudo que acontece
E acho isso o máximo.
Só há psicoterapia para coisas irrelevantes
Para o resto, só o mesmo método
Só o mesmo semblante desentendido
Não há problema além do meu
Além de mim, eu sou o problema desistido
Sem solução por não haver
Solução para a relevância
Eu queria que houvesse menas coisas
Mas não existe menas
Só as coisas são importantes.
Onde sou par de alguma coisa
Em um lugar mais arejado
Quero aproveitar, pois o resto é tanto resto
Que mal sei se sou alguém ou algo
Enquanto isso, uma vítima de incesto
Chora o irmão que se perdeu
Quando perdeu sua virgindade
Sou eu uma dessas pessoas
Apenas me vestindo diferente?
Apenas vivo diferente
Sou indiferente às pessoas como eu.
Não, este não é um poema de amor
Minha mãe não sabe que estou aqui
Não aconteço
Mas sei tudo que acontece
E acho isso o máximo.
Só há psicoterapia para coisas irrelevantes
Para o resto, só o mesmo método
Só o mesmo semblante desentendido
Não há problema além do meu
Além de mim, eu sou o problema desistido
Sem solução por não haver
Solução para a relevância
Eu queria que houvesse menas coisas
Mas não existe menas
Só as coisas são importantes.
XIV
Olha-me o homem por detrás do espelho
Olha-me desconhecido, num reflexo do eu
Que vive nele como lembrança à procura
De um passado. Sou estranho à imagem
Sem memória e não sei se sou figura
Ou sou palavra, se sou esse ou sou aquele
Olho sem saber se sou, como fosse ninguém
Não sei, ainda que me hesite a sombra de um pensamento
Uma resposta talvez me encontre quando questiono
Esses muitos ninguém que desconheço:
O que há por se sobrar no olhar do tempo?
Serei eu, serei retrato, serei ninguém
Sem barba, sem bigode, sem palavra?
E descubro que a dúvida me envelheceu a alma
Para que tanta pergunta, meu Deus?
É bem mais fácil aceitar o que me dizem
Diariamente me transformo de maneiras
Facilmente explicáveis pela medicina, psicologia
E outras tantas ciências que de nada servem
Senão para confortar quem não suporta a dúvida
E carece de um porquê para existir humanamente
Ainda assim, sobra a imagem, o eu e o ninguém
Para que tanta resposta, meu Deus?
Olha-me desconhecido, num reflexo do eu
Que vive nele como lembrança à procura
De um passado. Sou estranho à imagem
Sem memória e não sei se sou figura
Ou sou palavra, se sou esse ou sou aquele
Olho sem saber se sou, como fosse ninguém
Não sei, ainda que me hesite a sombra de um pensamento
Uma resposta talvez me encontre quando questiono
Esses muitos ninguém que desconheço:
O que há por se sobrar no olhar do tempo?
Serei eu, serei retrato, serei ninguém
Sem barba, sem bigode, sem palavra?
E descubro que a dúvida me envelheceu a alma
Para que tanta pergunta, meu Deus?
É bem mais fácil aceitar o que me dizem
Diariamente me transformo de maneiras
Facilmente explicáveis pela medicina, psicologia
E outras tantas ciências que de nada servem
Senão para confortar quem não suporta a dúvida
E carece de um porquê para existir humanamente
Ainda assim, sobra a imagem, o eu e o ninguém
Para que tanta resposta, meu Deus?
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