terça-feira, 21 de outubro de 2008

XVIII

Domingo é dia de ir para a chácara
Onde sou par de alguma coisa
Em um lugar mais arejado
Quero aproveitar, pois o resto é tanto resto
Que mal sei se sou alguém ou algo
Enquanto isso, uma vítima de incesto
Chora o irmão que se perdeu
Quando perdeu sua virgindade
Sou eu uma dessas pessoas
Apenas me vestindo diferente?
Apenas vivo diferente
Sou indiferente às pessoas como eu.
Não, este não é um poema de amor
Minha mãe não sabe que estou aqui
Não aconteço
Mas sei tudo que acontece
E acho isso o máximo.
Só há psicoterapia para coisas irrelevantes
Para o resto, só o mesmo método
Só o mesmo semblante desentendido
Não há problema além do meu
Além de mim, eu sou o problema desistido
Sem solução por não haver
Solução para a relevância
Eu queria que houvesse menas coisas
Mas não existe menas
Só as coisas são importantes.

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