quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

Ao Modo Alheio

Há uma sombra que não é minha

Na parede que não é minha.

Apesar da sombra, tudo é colorido.

O mundo é sempre colorido

Quando se vive a sombra.

Quando a sombra alheia

Se desenha na parede alheia.

O mundo colorido me é alheio,

Não que me faltem olhos

Não que me faltem cores

Não que me faltem paredes

Sobra-me o alheio

Sobra-me a sombra

Sobra-me tudo mais que não é:

A vida alheia na parede alheia,

A projeção de uma sombra

Que não vive por ser alheia,

Falta-me quando

Falta-me minha

Sobro-me alheio.

O clima na vizinhança é tenso.

Hospitais e albergues fechados.

Adoecer é caro,

Envelhecer é caro,

Morrer é caro.

A comida é cara,

Contudo, a vodca é barata.

Não alimenta, mas me faz

Imaginar paredes

Projetar minha própria sombra

Na parede própria

Sem tantos alheios.

A fumaça investigou meus instintos

E me encontrou devasso entre mulheres

Charutos baratos e palavras fáceis.

Charutos trazem palavras fáceis.

Tudo é fácil com charutos baratos

Menos a parede própria

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