segunda-feira, 3 de março de 2014

Coisa de Casa

Estou com vontade de escrever um poema
O maior e melhor poema do mundo,
Mas sou negro, gordo e fornicador.
Ninguém respeita um negro, gordo, fornicador,
 A menos que tenha 19 centímetros de pau,
Ou um centímetro a mais, ou dois. Mesmo assim
Ainda quero escrever um poema pulsante,
Cheio de veias, cheio de aquilo tudo que não pode ser
Porque não pode.
Mamãe não deixa
Mamãe não compra
Mamãe não quer



sexta-feira, 27 de setembro de 2013


Esperará no virá um dia a ser
pelo que não houve, sem saber
Que tudo que não houve foi,
por ser, por saber, por querer
que o que fosse, fosse
E se fosse, fosse, fosse fosse
No ter, no haver, no querer
No libertas que será tamem,
Num amém antes do almoço,
Fosse, eu, um velho moço,
Fosse eu também esse bom moço
Diria eu: “Quisera eu viver nesse
Alvoroço”. E se soubesses
Ah, soubesses tu que me roubara
A alma, antes mesmo de que pudesse
A poesia fazer parte do teu nunca,
Quisera eu que pudesses ser comigo
Antes. E se não posso ser contigo
Esse teu anterior a mim
Peço que não possas envelhecer,
Que não consigas, nunca, envelhecer,
Pois o tempo que tenho mora
Na ternura desse tempo que tenho dela.

terça-feira, 16 de abril de 2013

De vez em quando


Não perco nada
Não ganho nada
Apenas vivo
Num quase nada
Tão de repente
Que de repente
Um sonho tenho
Nem sempre bom
Às vezes triste
Que me transtorna
Ou me apaixona
Por ser de nada
Muito obrigado
Quisera sempre
Num por favor
Sonhar um dia
Um vez em quando
De quando em quando
Em que não fosse
O mesmo sempre
Esquecimento
De uma lembrança
Tão prazerosa
Pecaminosa
Que sempre diz
Ao meu ouvido
É proibido
Desimpedido
Seria tão
Tão de repente
Que outrora o sempre
Seria sempre
Um dia lindo


segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

Se quiser sentir



Se quiser e sentir
E somente se quiser falar comigo, e sentir isso,
Olhe para o céu. Talvez verá estrelas, talvez
Verá o fundo azul do dia, talvez o branco
Ou o cinza escuro das nuvens, prestes a chover.
Se vir esse cinza quase precipitante, sim, sinta
Sinta o que um dia, talvez, tenha sentido
Se um dia sentiu, se me sentiu por perto, pois
Não sei se estarei no céu, como também
Não sei, sinceramente, se estarei no inferno.
Não pense em Jesus ou no Diabo,
Mas pense nas nuvens, pois sei que não há,
Nem nunca houve nada que me pudesse
Me fazer mais presente do que uma boa chuva
Incandescente, dessas que perjuriam
Papai do céu, daquelas que mesmo
Quem vive na seca fala mal, por que é má;
Sim, para eles é má, assim como fui mau
Para alguns, bom para alguns, insípido
Para alguns. Inodoro, para alguns
Invisível para outros tantos alguns, mas fui,
E fico feliz por ter sido, simplesmente porque fui.
Insípido, inodoro ou invisível, fui, como a chuva
Para muitos, que, para mim, nunca foi inodora.
Por essas e outras, te peço que me pense
Como a chuva, que só não é inodora para quem sente,
Só não é invisível para quem vê,
Só não é insípida para quem sabe o gosto da chuva.
E se você não sabe o gosto que a chuva tem,
Se um dia sentir, quando sentir, saiba,
Estarei lá, estive lá, e também fui isso que você sente.