segunda-feira, 30 de novembro de 2009

XV



Sonhemos, e vivamos esse sonho severamente
Sonhemos, porque o dia não tarda
E a luz é sombra para o pensamento.
Vivamos enquanto o sol não se levanta
E ele nunca se cansa de nascer.
Sejamos, simplesmente, como nunca
Pois o nunca é o poço onde se afogam
Realidades melancólicas e tristes.
Sonhemos. Não, não me acordes,
Não me queiras de olhos abertos para o suplício matutino
Pois todas as vezes que me acordam é um sonho
Que amanhasse sem ser lembrado.
Deixa-me que viva entre as estrelas
Onde sempre caberá um firmamento
Seja, e simplesmente sejamos,
Não um, mas um milhão de vezes nós mesmos
Assim, completamente seremos.
E quando alguém, um dia, quiser nos acordar
Desses nossos sonhos que vivemos
Montaremos em nosso caracol selvagem
A cortar com a bravura do vento
Os inúmeros nanômetros imaginários do horizonte
E iremos, iremos além
Além do que se chama horizonte
Muito depois de muitos horizontes
Que nunca cessarão. E quando lá alcançarmos
Lá onde o horizonte se cansa de ser horizonte
Para ser abrigo, onde o infinito encontra
O caminho do fim, onde o dia se desaba em noite
E a noite é feita para a paixão
Lá, muito depois do infinito horizonte
Seremos simplesmente nós, não mais alguém
Seremos um milhão de vezes nós mesmos
De um jeito que nunca nos conhecemos
E enfim, desbravaremos a beleza
De todos os seres que não fomos
E sonharemos, viveremos infinitamente
Mais infinitamente que o horizonte infinito
E lá, depois de além de onde todos os horizontes
Se encontram, finalmente seremos

3 comentários:

Anônimo disse...

E as 'white lies'?...

Anônimo disse...

bem...
acho que não foram bem recepcionadas... além disso, acho que preciso estender um pouco, trabalhar o texto

LA Thereza disse...

Não sei se poderia escrever mais sobre mim do que nesse poema.
Pena que o pessoal não tem gostado do que escrevo.
Talvez eu deva ir me preparar para dar aula, afinal... quem não sabe fazer, ensina, não é?