ou
Memórias acerca de uma bruxa mestiça, esquecida de mim, que dormiu comigo em East End, Salem e outros cantos da Nova Inglaterra, mas desapareceu antes que eu acordasse.
ou
Acho que estou enlouquecendo, se é que já não é tarde para achar qualquer coisa relativa à loucura.
ou
Madrugada desgraçada
Da janela, o desassossego.
É noite, e a neblina embranquece
O horizonte, por onde vagam idéias vagas
Dolorosamente demoradas.
A brisa noturna arrasta a bruma,
Assim como a idéia de ti
Sopra de mim todas as palavras.
Então, o silêncio; o trêmulo silêncio
Ateu de outra vida, em que as lágrimas
Secavam ao vento, e a monotonia
Era uma amiga triste e esquecida,
Praticante de uma bruxaria católica
Uma secreta bruxaria católica
Melancólica e aflita, desconhecida
Do meu cotidiano fantástico, mas presente,
Sempre alheia ao nada mais
Porque é o que é, vive o que é
Não importando o que se possa ser
Ou ter senão o que se tem e o que se é.
E assim, não digo. Permaneço inaudível
A mim mesmo e a qualquer um que não me ouça
Não existo em barulhos, nem em gemidos
Nem em sussurros, como um verso desistido,
Incompleto pela dor gerada ao ser escrito
Ou pela preguiça da dor de escrevê-lo.
E deixo-me no presente imóvel
Dos gêmeos Esquecimento e Lembrança.
E, calado, permaneço deixando-me
Soprar as palavras o vento noturno,
Saliente e promíscuo e insalubre,
E, de quando em quando, incessante
E impaciente e melindroso e mau,
Com a maldade de todo ser melindroso
E impaciente e, por isso, insalubre.
A névoa antecedeu a chuva
(que cai, como sempre)
Trazendo consigo o lamento da noite
Diante dessa coexistência impossível.
Há, contudo, um poste,
(sempre há um poste)
E sobre ele, uma lâmpada.
Certa alegria chega a ser sentida
Em meio a minha existência inaudível.
Essa luz revela testemunhas decadentemente
Temporárias do silêncio que se resulta
Em palco para minha multidão de gotículas.
Ponta Grossa, 22 de fevereiro de 2012

Um comentário:
Give your heart and soul to me and life will always be la vie en rose
(L. Armstrong)
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