Quero alguém que não use pinturas
Que não se faça atrás de maquiagens
Nem viva da própria máscara
Ou de máscaras alheias, que perseveram.
Esse alguém não precisa ser belo,
Mas que tenha a verdadeira beleza.
Quero alguém que me traga,
Não simplesmente me leve.
E que seja leve para eu poder carregá-lo
Nos braços, no peito e no pensamento.
Quero um alguém que morra de medo
Mesmo que de coisas simples, ratos, baratas
E aranhas, e que esse medo me faça forte
Tão forte que, sem zombar da fraqueza,
Eu possa sorrir.
Quero passear no parque, chupar sorvete
Abrir a porta do carro, mas dividir a conta
Sem deixar de ser cavalheiro.
E que eu possa andar de mãos dadas
Nas frestas da preocupação.
Sim, quero preocupações, mas não doenças
Além da poesia na alma
Pois não quero prazeres imediatos,
A vida é pleno orgasmo, até nas tristezas.
Ah, como as quero, tristezas, pois
Ser humano é ser comparativo.
Não, não lhe quero mergulhado em perfeição,
Embora repleto de perfeitos detalhes imperfeitos
Não quero um alguém perfeito,
Assim já me bastam seres imaginários.
Quero alguém que seja verso, nunca prosa
E que contenha a rima rítmica da saudade
Ausente e a métrica melancólica da recordação.
Quero ver o sol raiar o dia
A cigarra anunciando o fim da tarde
Sentir o cheiro do mato
O gosto sereno da noite.
Eu quero ver a rosa florir.
Nenhum comentário:
Postar um comentário